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Fortaleza, Ceará, Brazil
Apenas uma alma perdida nadando em um aquário, ano após ano, correndo sobre o mesmo velho chão... O que tenho encontrado? Os mesmos velhos medos...

Máscaras I

Bom, o post tem como objetivo apresentar o novo conto sobre Alice, que também faz parte de uma série de contos sobre a novela que pretendo desenvolver [+mistério]. E como o tema proposto (como sugere o título) é sobre mascaras, queria falar um pouco sobre as minhas máscaras e minha visão sobre elas.
Acho que em toda minha vida sempre utilizei bastante esse "recurso" social. Talvez seja facilmente observado como falsidade (e talvez realmente o seja, mas não queria entrar nessa questão) mas acredito que seja algo bem mais profundo. A minha visão é que o conjunto de máscaras que utilizo formam o meu caráter e personalidade, mas em geral não as uso ao mesmo tempo. A analogia é que pessoas que se entregam, ou que se mostram como "realmente são" utilizam todas as suas máscaras simultanemante. Já eu desde pequeno, talvez como forma de defesa mesmo, utilizei uma para cada ocasião. Elas te trazem uma adaptabilidade muito grande a diversos tipos de situações ou grupos de pessoas com que você se depara. Uma máscara para cada momento.
No meu caso, gosto muito de associar essa analogia com o Pierrot. Um palhaço que está triste. Ele tem que passar a imagem de alegria, mas está morrendo por dentro. O poder de sua máscara é tão forte quanto o numero de pessoas que ele consegue fazer sorrir, mesmo estando melancólico. Não necessariamente o que se esconde com uma máscara é a tristeza, mas talvez seja uma das mais complexas.
A máscara, como disse anteriormente, é um mecanismo de defesa muito poderoso, mas pouco duradouro. Você pode passar para os outros uma certa imagem, e se convencer por um bom período de que você se sente daquela forma, mas é inevitável se deparar com o verdadeiro sentimento. Ele vai te alcançar nos momentos mais íntimos, ou nos momentos de solidão.
Bom, esse assunto é particularmente especial pra mim, pois durante muito tempo eu pensei que essa fosse a minha melhor qualidade e a coisa que eu melhor fazia, mascarar o que sinto. Sempre me gabei de poder me adaptar a qualquer grupo de pessoas ou qualquer situação, apenas manipulando o que eu gostaria que os outros vissem a meu respeito. Mas os ultimos tempos foram bastante intensos. E... não sei, ainda guardo resquícios fortes das minhas máscaras, mas hoje eu prefiro "jogar" nas pessoas como eu estou me sentindo. E como eu realmente sou. Sim, eu sou esse idiota que está na sua frente, provavelmente fazendo alguma idiotice. E não me importo se não lhe agrada... quer dizer, é uma pena, mas eu sou isso. E para aqueles que simpatizaram ou aturaram esse jeito... só o que desejo é sorte, porque vem mais "disso" por aí...

Acho que já mostrei mais do que deveria a respeito do que acredito ser essa tal "Mascara", e baseado nisso ou não fica o segundo conto de Alice.


Máscaras I-

2:27
Uma bela tarde de domingo. Cheguei mais cedo, não sei porque, acho que não queria passar mais tempo em casa. Ele deve chegar às 3:00
- Um café, por favor.
Não que eu esteja com vontade de beber café, mas ficar parada me deixa ansiosa. Melhor me distrair com algo. Ao menos se me distrair, o café quente irá me lembrar do que ainda me espera hoje, não posso me perder agora, não hoje, não posso fazer isso com ele.
2:55
Sinto uma leve excitação por pensar que ele está pra chegar. Essa semana foi um pouco complicado, não fui a aula nos ultimos 3 dias. Disse a todos que estou indisposta. Não que seja realmente mentira, mas... não sei, cada dia parece ficar mais longo, e mesmo assim não há nada pra fazer nesse tempo. Livros vêm sendo meus melhores amigos.
3:07
Ele chega.
-Oi meu amor, demorei?
-Imagina.
Esse tempo foi particularmente doloroso, não pela duração, mas a expectativa que ele trouxe... esperar fica cada vez mais dificil
-Então, você está melhor? Estou preocupado.
-Acho que estou melhorando.
Cada dia fico pior.
-Já pediu alguma coisa?
-Ainda não.

3:47
...
-E então o Machado fez aquela mesma piada de sempre, você sabe como eu sou, sempre rio de tudo, mas já está ficando meio cansativo.
-Aham...
O que ele disse mesmo? Nossa... o Jim é uma das melhores pessoas que eu já conheci, mas... não, é melhor não aborrecê-lo com essas coisas.
-E então, sua mãe tem alguma novidade sobre aquela viagem?
-Que viagem?
-Seus pais não iam passar uma semana fora..? Você me disse isso ontem.
- Ah sim...
Ando distraída, mas é realmente bom lembrar disso. Em casa o clima está cada vez pior. Não por culpa dos meus pais ou de ninguém... É só que eu me sinto uma visitante na minha própria casa.
-Já está tudo confirmado, eles viajam na terça.
-E você vai realmente ficar só em casa?
-Talvez, mas isso ainda não ficou decidido.
Realmente espero que sim.

4:07
...
-A conta, por favor. Então, vai querer ir lá em casa hoje?
-Acho melhor não, minha mãe quer ajuda com o jardim, e eu ainda não estou totalmente recuperada.
Quem dera... Eu amo o Jim, mas nos ultimos tempos as coisas estão ficando um tanto cinzas. Quer dizer, será que é culpa dele? Realmente não acho que seja, talvez seja eu. Ou apenas o tempo mesmo. Talvez nosso tempo esteja acabando. É melhor continuar assim.
-Tudo bem.
Será que eu estou sendo cruel? Eu não me sinto falsa dizendo essas coisas a ele, eu só quero poupá-lo de certas situações. Não, eu não sou um monstro, quero o bem dele, ele merece. O problema está em mim mesmo. Não sei o que, e talvez nem precise de um motivo, então não posso fazer ninguém sofrer por isso.

4:39
...
-27,50.
-Quanto deu minha parte?
-Por favor Alice, eu não vou deixar você pagar nada.
Ele sabe que eu odeio quando ele faz isso. Mas tudo bem... dessa vez.

4:57
-Você vai ficar bem?
-Sim, sim. Obrigado pela carona.
-Você sabe que é um prazer. Posso te ligar mais tarde?
-Com certeza.
-Bom... até mais tarde então.
É melhor assim. Acho que posso aguentar essa angústia. Não preciso preocupar o Jim com isso. Melhor guardar esse sentimento em mim e pensar em outras coisas, talvez na escola -por sinal tenho um teste na semana que vem- no meu relacionamento com o Jim... Fico feliz porque as coisas estão dando certo pra ele nos ultimos tempos, ele era melancólico e hoje parece tão vivaz. As coisas vão melhorar, com certeza. Só preciso dar um tempo que tudo irá ficar melhor, afinal, o tempo resolve tudo não é mesmo?

13 Comments:

  1. Arthur said...
    Tua cara. Sem mais. :)
    Arthur said...
    Tá, muito sem graça abrir a caixa de comments e haver um comentário desse tipo. u_u Pois bem, curti muito o estilo da narrativa, só achei estranho a mudança de terceira pra primeira pessoa em relação ao primeiro conto da Alice, embora eu prefira assim mesmo. E tipo, bem válido continuar trabalhando com o tema 'tempo', além dele ser bem amplo, dá uma 'cara tua' ao conto. =P Ele fica mais pessoal, apesar de que a personagem tá bem 'caracterizada' com isso, digamos assim. Enfim, é isso.
    William said...
    primeiro conto seu que leio cara, parabéns, n sabia do seu lado literário, seu texto me atingiu bastante, me fez refletir sobre mim mesmo, ou seja, para mim ele foi ótimo, concordo com vc quase que completamente sobre a noção de mascara social(aliás, pergunte para o renato, sempre gostei de refletir sobre as mascaras xD) e manipular os sentimentos é o que mais fasso xD, sempre me manipulei pra sentir o sentimento certo na situação certa(alias no meu termino de namoro, o q fiz foi me manipular ao invez de enfrenta-lo, é uma mania minha).
    Mas no fundo acho arrogancia minha acreditar que sou capaz de mandar nos sentimentos...
    quanto ao conto em sí, gostaria de conversar melhor com vc no msn, mas gostei bastante msm...
    Nichollas Fonseca said...
    Poxa, é muito importante pra mim ver que o que falo não é totalmente besteira xD. Não posso te dizer: Faça isso, ou isso é melhor, ou blá. Mas fazer com que as pessoas pensem a respeito é meu grande objetivo. Não vou nem comentar o do Arthur, a gente fala nisso o tempo todo, mas a respeito da mudança temporal... talvez depois fique mais claro o porque disso, e o tempo... bem, o tempo nunca vai fugir do que escrevo.
    JuhSoares said...
    'É só que eu me sinto uma visitante na minha própria casa.'só.
    Anna Sérgia said...
    Gostei muito desse, acho que todos se identificam mais com esse tema, até por ser algo que a maioria tenta fazer, alguns conseguem, e outros nao, e alguns só acham que conseguem.

    =D
    guilherme.s.lopes said...
    Máscaras. São tantas que me confundo, não se sabe mais quem se é. E nessas horas vividas por alguém que não sou, vale citar Lispector, "se eu fosse eu, o que eu faria?", e neste momento descobrimos que nunca fomos nós mesmos. Bem, somos feitos de máscaras, somos uma colcha de retalhos daquilo que os outros esperam de nós. E, neste caso, cabe uma das minhas frases favoritas de Saramago: "quanto mais te disfarçares, mais te paracerás a ti próprio". Por outro lado - podem me entender negativamente - acho que no dia que eu for realmente eu, estarei condenado à minha própria liberdade, e isso é MUITO angustiante. (foi mal ficar citando frases, é que elas simplesmente vêm).
    Nichollas Fonseca said...
    Poxa Gui, você é o cara. Tenho a certeza que sou um amador quando vejo teus coments. E isso é bom, ao menos to tentando, e fico feliz de ver que tu ta acompanhando e abrilhantando aew com os coments, valeu cara :). E sobre o conto, gostou? Essa nova perspectiva da Alice foi impactante e talz? ACOMPANHE O QUE VEM POR AÍ.
    guilherme.s.lopes said...
    O tema me instigou tanto que eu esqueci de falar do texto em si! Foi mal ai Loro.. Bem, falar de Alice está muito difícil, não consigo decifrá-la, não consigo imaginá-la, ainda está muito fragmentada na minha cabeça..
    Senti que ela se esquivava de si própria quando ia falar com Jim.
    "-Acho que estou melhorando.
    Cada dia fico pior."
    Esse trecho não sei porque me fez pensar que existe uma Alice em cada um de nós...
    Valeu cara, criticamente, acho que os nomes "Machado" e "Jim" não são muito inspiradores hehehe E sim, acompanharei o que vem por aí. =)
    Arthur said...
    Me sinto tão burro lendo o que o Guilherme escreve. hehe xD

    Pois bem, não sei se entendi isso de 'condenado à própria liberdade'... foi algo pessoal? Ou pra qualquer pessoa isso seria angustiante? =s
    Natan said...
    muito, muito, muito bom, tanto o texto sobre máscaras quanto o conto de alice. eu realmente adoro contos nesse estilo q vc escreveu. mascarar sentimentos é uma coisa que faço muito... porém eles vão acumulando como uma bola de neve e uma hora a coisa toda explode...
    guilherme.s.lopes said...
    Arthur, eu digo condenado à própria liberdade no sentido de ser responsável pelas próprias escolhas. Sem máscaras, eu sou inteiramente responsável por aquilo que eu faço. Não tenho máscaras para me desculpabilizar, e esse "viver sendo eu mesmo" é muito difícil, pois é dizer a todos que sou culpado por tudo que eu fizer. As máscaras, mais do que defesa como muitos estão dizendo, têm função de ALÍVIO... Essas conclusões são pessoais. =) Irado esses temas do Loro, loucura, máscaras, etc.. Essa Alice aí ainda tem muito por aí!! Tá bom de comentz, já tou enchendo muito essa janela hehe
    Arthur said...
    Saquei. Valeu. ^^
    E cara, quando eu comecei a ler esse teu último comment lembrei do Loro me explicando o porque d'ele ser ateu. haha =)

    Enfim, bem interessante isso.

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